Chegamos ao momento da outra e brilhante missão de Zélio Fernandino de Moraes junto ao Caboclo Sete Encruzilhadas.
Passamos do momento de sua anunciação e iniciação (15 e 16 de
Novembro de 1908), do aprimoramento dos rituais com o Orixá Malê (1913) e
agora passamos a fase de propagação da fé Umbandista.
Zélio Fernandino de Moraes, juntamente com o Caboclo Sete
Encruzilhadas, tinham a missão de propagar a Umbanda naquela época e
isso foi realizado através das fundações das Tendas Espíritas, que foram
sete.
Antes de entrarmos no mérito das fundações, faz-se importante
destacar que, muito embora sejam cultos Umbandistas, os nomes se davam
como Tendas Espíritas e com complemento de nomes provindos de santos
católicos.
Tal fato é importante ser analisado, pois naquela época, o culto
africano, aos Orixás, era tido como obra de bruxaria e muito mal visto
pela sociedade. Como, porém, o espiritismo de Kardec era melhor visto na
sociedade, com o intuito de primeiro ganhar o espaço e divulgar que a
Umbanda não era obras de Magia Negra, colocou-se como Espíritas a fim de
ser introduzida na sociedade.
É claro que teve muita perseguição, pois mesmo contendo tais nomes,
muitos perseguiam os terreiros/tendas, com o intuito de aniquilarem
essas “manifestações ruins”, que eram associadas como “culto ao
demônio”.
Principalmente nos anos de 1930 – 1940 (na era Vargas), os terreiros
eram depredados e seus dirigentes e médiuns detidos pela polícia. Era
inadmissível àqueles cultos, tanto que havia uma parte da polícia
própria para a fiscalização desses terreiros.
O delegado que efetuava tais prisões, Dr. Paula Pinto, era o primeiro a chegar nas tendas e prender dirigentes e médiuns.
Fato interessante que, após um dia chegar na Tenda onde Zélio estava
incorporado com Pai Antônio, desesperados com a presença do delegado, o
Preto Velho pediu que este entrasse e sentasse na sua frente. Minutos
depois, o delegado desmaiou. Não se sabe o motivo e o que foi conversado
depois, mas Dr. Paula Pinto abandonou seu posto de coordenador do setor
de fechamento de terreiros e passou a ser seguidor da fé umbandista.
É claro que naquela época, embora a laicidade do Estado, infelizmente
havia uma grande restrição e os direitos à liberdade de culto não eram
obedecidos. Com tudo, após esses ataques frenéticos da Polícia e a mando
do Caboclo Sete Encruzilhadas, criou-se a primeira Federação Umbandista
com o intuito de legitimar a religião, dando respaldo e suporte aos
terreiros e dirigentes. Posteriormente, também como forma de enaltecer a
religião de Umbanda, em 1941 veio o 01º Congresso de Umbanda reunindo
seus adeptos.
Isso posto, entendendo o motivo pelo qual se denominava Tenda de
Espírita com a complementação dos santos católicos, passemos a conhecer
quais as sete tendas fundadas pelo Caboclo Sete Encruzilhadas, seus
dirigentes e guias espirituais responsáveis.
Fora a Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, esta que foi dada na
fundação do culto Umbandista (16 de Novembro de 1908), a primeira tenda
fundada após dez anos de sua anunciação, foi a TENDA ESPÍRITA NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO.
A Tenda foi fundada na data de 16 de Janeiro de 1918 e teve como
primeira Dirigente Espiritual, Gabriela Soares, cuja mediunidade
incorporava o Caboclo Sapoeba. Posteriormente, o comando da liturgia
passou ao Sr. Leal de Souza, conforme narrado na História do Orixá Malê.
No dia 05 de Março 1925, sete anos depois, fundou-se a Tenda Espírita São Pedro,
tendo por dirigentes espirituais os Srs. José Meirelles e Francis, cuja
as mediunidades se manifestavam os guias Pai Jobá e Caboclo Jaguaribe.
Dois anos depois, no dia 08 de Setembro de 1927, iniciou-se os cultos da Tenda Espírita Nossa Senhora da Guia,
tendo por Dirigente Espiritual o Sr. Durval de Souza, cuja mediunidade
se manifestava os guias Caboclo Jaguaribe e Caboclo Acahyba.
A quarta tenda fundada, na data de 27 de Junho de 1933, foi a Tenda Espírita Santa Bárbara,
a qual contou como Dirigente o Sr. João Aguiar Salgado, cuja a
mediunidade incorporava os guias Pai Francisco e Caboclo Corta Vento.
Dois anos após a fundação da Tenda Espírita Santa Bárbara, fundou-se no dia 15 de Fevereiro de 1935, a Tenda Espírita São Jorge, tendo por Dirigente Espiritual o Sr. João Severino Ramos, cuja a mediunidade incorporava o Caboclo Cobra Coral.
Essa tenda é de vital importância para nossa história, pois foi a
partir dela que a Umbanda foi inovada. Todavia, tal fato e aspecto
estudaremos em breve, onde falaremos sobre o Culto instituído pelo
Caboclo Sete Encruzilhadas.
No mesmo ano, no dia 16 de Maio, inaugurou-se a sexta tenda, sendo a Tenda Espírita São Jerônimo, tendo por Dirigente espiritual o Sr. José Alves Pessoa, cuja mediunidade incorporava o Caboclo Lua e Pai Jacó.
Encerrando esse ciclo, a sétima tenda foi fundada no ano de 11 de Novembro de 1939, sendo a Tenda Espírita Oxalá, tendo por Dirigente Espiritual o Sr. Paulo Lavois, cuja mediunidade incorporava Pai Serafim e Caboclo Acahyba.
Essa tenda, assim como a Tenda Espírita São Jorge, denotou muita
importância, pois trouxe para dentro do culto umbandista os
Assentamentos que eram realizados na tradição Angola e, mais tarde,
passou a ser conhecida como Umbanda Omolokô.
Estas foram as sete primeiras Tendas que o Caboclo Sete Encruzilhadas
fundou. Todas seguiam seus rituais, mais duas modificaram os rituais,
sendo a Tenda Espírita São Jorge e a Tenda Espírita Oxalá, a qual
abordamos aqui.
Pela importância da modificação do ritual que trouxe a Tenda São
Jorge, faremos uma breve análise em publicação específica, onde
abordaremos um pouco do ritual trazido pelo Caboclo Sete Encruzilhadas e
a implementação trazida pela Tenda São Jorge.
Eis aqui a história das fundações e missões do Caboclo Sete
Encruzilhadas, ainda trazendo um pouco do relato histórico do porquê a
denominação de Tendas Espíritas.
Espero que tenham gostado!
Saravá!
Pai Igor Luís de Camargo
O blog Doutrina Umbandista tem como objetivo levar o conhecimento do Culto da Umbanda a seus adeptos e simpatizantes, além de ser uma forma de divulgar a doutrina àqueles que pouco conhecem nosso ritual.
Quem sou eu
- Doutrina Umbandista
- Sacerdote de Umbanda, formado pelo Templo de Umbanda Caboclo Sete Flechas, Ogã formado pelo Templo de Umbanda Cacique Pena Branca, Sócio - Filiado ao Superior Órgão Internacional de Umbanda e dos Cultos Afro e Coordenador Regional do SOI em Amparo/SP
domingo, 24 de abril de 2016
Orixá Malê
Continuando nossos estudos referente a história da Umbanda, falaremos
hoje sobre a Incorporação do Orixá Malê. Já nos aproximando do dia 23
de Abril, data em que se celebra o Dia de Ogum, pertinente também se faz
essa explanação.
Como abordado na História da Umbanda 1, falamos que essa foi anunciada no dia 15 de Novembro de 1908 pela espiritualidade através da mediunidade de um jovem de 17 anos chamado Zélio Fernandino de Moraes. Essa anunciação veio através do Caboclo Sete Encruzilhadas que, em encarnações passadas, foi um frei queimado na fogueira da santa inquisição por prever o terremoto em Lisboa. Seu nome era Frei Gabriel de Malagrida.
Abordamos também que, muito embora sua anunciação ocorrera no dia 15 de Novembro, o primeiro culto se deu no dia seguinte (16 de Novembro de 1908) na casa de Zélio, onde manifestou-se espíritos que seriam os pioneiros a conduzirem a umbanda sagrada. São eles: Caboclo Sete Encruzilhadas, o qual falou a todos o que era a Umbanda, ditou suas regras e fundamentos.
Posteriormente, a incorporação de Pai Antônio, um Preto Velho que vem ensinando a simplicidade e a humildade que a umbanda pregaria, bem como a não renegação de nenhum espírito ou irmão.
Ainda, Pai Antônio inicia o uso de elementos (fumo, bebida, oferendas), bem como traz para dentro da umbanda a Devoção aos Orixás.
Árduo e contínuo trabalho, no ano de 1913, cinco anos após a anunciação e iniciação dos cultos Umbandistas, Zélio foi dominado por uma força que não a do Caboclo Sete Encruzilhadas, tampouco de Pai Antônio.
Era uma vibração de um espírito forte e valente, que se apresentara como Orixá Malê, um espírito, ou melhor, um guia espiritual que representava a força do Guerreiro Ogum.
Muito embora denominado de Orixá Malê, não tratava-se de um Orixá como comumente estamos acostumados a dizer ou associar, mas um guia espiritual que, irradiado na força de Ogum, senhor das demandas e das batalhas, vinha realizar trabalhos até então desconhecidos e não ditos anteriormente.
Orixá Malê, sendo um Caboclo de Ogum, era rígido e um pouco rude. Não aceitava o errado e exigia que todos seguissem firmemente a doutrina empregada na umbanda.
Este guia espiritual inicia um nobre trabalho dentro dos cultos da Umbanda. Através de sua força, Malê vêm para desmanchar feitiços e obras de Magia Negra, além de ser especialista na arte da cura.
Tanto assim o é, que as curas realizadas pelo Orixá Malê são contadas de forma afirmativa por Leal de Souza, este que era incrédulo e estudioso da Umbanda.
Para que naquela época a umbanda ganhasse força e credibilidade, Orixá Malê utilizava-se de muitas provas, mostrando a todos que ele realmente estaria lá e a espiritualidade não era apenas uma fantasia.
Para relatos, exemplifico com a História da Borboleta Amarela.
Em uma sessão da casa (Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade), Leal de Souza, na tentativa de obter provas da existência da espiritualidade, estava sentado assistindo aos trabalhos.
Em dado momento, Orixá Malê incorporado em Zélio Fernandino de Moraes, já sabendo que Leal estava ali para obter respostas sobre esses assuntos “paranormais”, disse a esse: “Está vendo essa borboleta amarela que acabara de entrar nesse recinto?. Pois bem, já que queres uma prova de minha existência, amanhã, após chegar em seu trabalho, essa mesma borboleta amarela fará uma visita à você”.
Leal de Souza, confuso com que o Orixá Malê relatara, não deu muita importância. No dia seguinte, levantou e seguiu até seu local de trabalho, já não lembrando o que Malê havia lhe dito no dia anterior.
Após minutos de labuta, eis que entra uma borboleta amarela em seu local de serviço e pousa bem em cima de seu ombro.
Para sua surpresa, uma prova da existência da espiritualidade havia acabado de acontecer. Daquele momento em diante, Leal de Souza deixa de ser um mero estudioso e curioso, e torna-se adepto a
Umbanda, vindo, posteriormente, assumir a direção da Tenda Espírita Nossa Senhora da Conceição.
Isso é apenas uma das provas realizadas pelo Orixá Malê, além de inúmeras curas que realizou aos enfermos e necessitados.
Pois bem. Continuando nossa jornada sobre a história de Malê, interessante abordar que, na suas práticas de cura, Orixá Malê utilizava-se de ANIMAL VIVO.
Destaco e enfatizo o Animal Vivo, pois contrário do que muito se fala que a Umbanda lida com sacrifício de animais, fato que é mentira, o animal era utilizado como fonte de cura, onde Orixá Malê passa-o entre o corpo do consulente (necessitado) e o dispensava VIVO na natureza.
A umbanda é respeito à natureza e de tudo que dela provém. Desta forma, não se faz jus e nexo o sacrifício de animais (respeitando culturas que assim o faz, mas que não são práticas da Umbanda).
Soltando o animal vivo a natureza, Orixá Malê realizava a cura naquele que passava por esse procedimento. Hoje não é muito visto esse procedimento, mas é um relato e fato que, em início, foi muito praticado.
Atualmente, muitas casas de Umbanda realizam trabalhos externos no próprio ponto do Orixá (praias, matas, encruzas, cachoeiras). Aliás, já se tornou praxe das casas realizarem seus rituais no ponto de força para melhor energizar e reequilibrar seus filhos espirituais.
Tal prática se dá, pois Orixá Malê, já vendo a necessidade, ORDENOU que esses trabalhos fossem feitos por adeptos a Umbanda. Eis que surge, então, os trabalhos nos pontos de forças dos Orixás, para que haja, naquele momento, maior ligação entre o encarnado e a espiritualidade.
Interessante, pois vemos que não se trata de “mero querer” do dirigente espiritual. Como diz a celebre frase: “Umbanda tem Fundamentos”. Tanto assim o é que, há um fundamento/explicação para tudo que se realiza dentro dos rituais umbandistas. Nada é inventado, mas sim solicitado pela espiritualidade maior.
Além disso, como instituído por Pai Antônio, iniciou-se a realização de oferendas. Já nas tradições que hoje seguimos, temos o costume de, muitas vezes, não só ofertar frutas aos Orixás, mas também comidas típicas.
Para Ogum, ofertamos a famosa FEIJOADA, que segundo lendas provindas do Candomblé, era a comida de Ogum. Só que vale ressaltar que, tal oferenda, também foi solicitada pelo Orixá Malê, como forma de oferendar a Ogum.
Desta forma, surge a oferenda da feijoada à Ogum nos cultos da Umbanda. Não se estranha que casas de Umbanda assim o fazem, pois não se trata mais de apenas tradição do Candomblé, mas uma solicitação do Orixá Malê que marcou a história da Umbanda.
Vimos, então, já na parte 2 de nossa História, a manifestação de um outro espírito que muito acrescentou nos nossos rituais e contribuiu para a evolução da Umbanda Sagrada.
Trata-se de Orixá Malê, Caboclo mensageiro de Ogum, com finalidades de quebrar demandas, desmanchar magias negras e também a arte de curar as enfermidades físicas e espirituais.
Guia de luz e de batalha, que simboliza a força do guerreiro e a temperança de nossos sentimentos, nos ensinando a lidar com a “guerra” diária, a qual hoje não combatemos com armas de fogo ou lanças, mas através da fé e sentimentos arrematadores, como o amor e o perdão.
Eis a história de Orixá Malê e, desta forma, saúdo o Orixá Ogum, senhor dos caminhos, que no dia 23 de Abril, comemoramos seu dia.
Saravá Ogum!
Saravá Orixá Malê!
Patakori Ogunhê, meu Pai!
Pai Igor Luís de Camargo
Como abordado na História da Umbanda 1, falamos que essa foi anunciada no dia 15 de Novembro de 1908 pela espiritualidade através da mediunidade de um jovem de 17 anos chamado Zélio Fernandino de Moraes. Essa anunciação veio através do Caboclo Sete Encruzilhadas que, em encarnações passadas, foi um frei queimado na fogueira da santa inquisição por prever o terremoto em Lisboa. Seu nome era Frei Gabriel de Malagrida.
Abordamos também que, muito embora sua anunciação ocorrera no dia 15 de Novembro, o primeiro culto se deu no dia seguinte (16 de Novembro de 1908) na casa de Zélio, onde manifestou-se espíritos que seriam os pioneiros a conduzirem a umbanda sagrada. São eles: Caboclo Sete Encruzilhadas, o qual falou a todos o que era a Umbanda, ditou suas regras e fundamentos.
Posteriormente, a incorporação de Pai Antônio, um Preto Velho que vem ensinando a simplicidade e a humildade que a umbanda pregaria, bem como a não renegação de nenhum espírito ou irmão.
Ainda, Pai Antônio inicia o uso de elementos (fumo, bebida, oferendas), bem como traz para dentro da umbanda a Devoção aos Orixás.
Árduo e contínuo trabalho, no ano de 1913, cinco anos após a anunciação e iniciação dos cultos Umbandistas, Zélio foi dominado por uma força que não a do Caboclo Sete Encruzilhadas, tampouco de Pai Antônio.
Era uma vibração de um espírito forte e valente, que se apresentara como Orixá Malê, um espírito, ou melhor, um guia espiritual que representava a força do Guerreiro Ogum.
Muito embora denominado de Orixá Malê, não tratava-se de um Orixá como comumente estamos acostumados a dizer ou associar, mas um guia espiritual que, irradiado na força de Ogum, senhor das demandas e das batalhas, vinha realizar trabalhos até então desconhecidos e não ditos anteriormente.
Orixá Malê, sendo um Caboclo de Ogum, era rígido e um pouco rude. Não aceitava o errado e exigia que todos seguissem firmemente a doutrina empregada na umbanda.
Este guia espiritual inicia um nobre trabalho dentro dos cultos da Umbanda. Através de sua força, Malê vêm para desmanchar feitiços e obras de Magia Negra, além de ser especialista na arte da cura.
Tanto assim o é, que as curas realizadas pelo Orixá Malê são contadas de forma afirmativa por Leal de Souza, este que era incrédulo e estudioso da Umbanda.
Para que naquela época a umbanda ganhasse força e credibilidade, Orixá Malê utilizava-se de muitas provas, mostrando a todos que ele realmente estaria lá e a espiritualidade não era apenas uma fantasia.
Para relatos, exemplifico com a História da Borboleta Amarela.
Em uma sessão da casa (Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade), Leal de Souza, na tentativa de obter provas da existência da espiritualidade, estava sentado assistindo aos trabalhos.
Em dado momento, Orixá Malê incorporado em Zélio Fernandino de Moraes, já sabendo que Leal estava ali para obter respostas sobre esses assuntos “paranormais”, disse a esse: “Está vendo essa borboleta amarela que acabara de entrar nesse recinto?. Pois bem, já que queres uma prova de minha existência, amanhã, após chegar em seu trabalho, essa mesma borboleta amarela fará uma visita à você”.
Leal de Souza, confuso com que o Orixá Malê relatara, não deu muita importância. No dia seguinte, levantou e seguiu até seu local de trabalho, já não lembrando o que Malê havia lhe dito no dia anterior.
Após minutos de labuta, eis que entra uma borboleta amarela em seu local de serviço e pousa bem em cima de seu ombro.
Para sua surpresa, uma prova da existência da espiritualidade havia acabado de acontecer. Daquele momento em diante, Leal de Souza deixa de ser um mero estudioso e curioso, e torna-se adepto a
Umbanda, vindo, posteriormente, assumir a direção da Tenda Espírita Nossa Senhora da Conceição.
Isso é apenas uma das provas realizadas pelo Orixá Malê, além de inúmeras curas que realizou aos enfermos e necessitados.
Pois bem. Continuando nossa jornada sobre a história de Malê, interessante abordar que, na suas práticas de cura, Orixá Malê utilizava-se de ANIMAL VIVO.
Destaco e enfatizo o Animal Vivo, pois contrário do que muito se fala que a Umbanda lida com sacrifício de animais, fato que é mentira, o animal era utilizado como fonte de cura, onde Orixá Malê passa-o entre o corpo do consulente (necessitado) e o dispensava VIVO na natureza.
A umbanda é respeito à natureza e de tudo que dela provém. Desta forma, não se faz jus e nexo o sacrifício de animais (respeitando culturas que assim o faz, mas que não são práticas da Umbanda).
Soltando o animal vivo a natureza, Orixá Malê realizava a cura naquele que passava por esse procedimento. Hoje não é muito visto esse procedimento, mas é um relato e fato que, em início, foi muito praticado.
Atualmente, muitas casas de Umbanda realizam trabalhos externos no próprio ponto do Orixá (praias, matas, encruzas, cachoeiras). Aliás, já se tornou praxe das casas realizarem seus rituais no ponto de força para melhor energizar e reequilibrar seus filhos espirituais.
Tal prática se dá, pois Orixá Malê, já vendo a necessidade, ORDENOU que esses trabalhos fossem feitos por adeptos a Umbanda. Eis que surge, então, os trabalhos nos pontos de forças dos Orixás, para que haja, naquele momento, maior ligação entre o encarnado e a espiritualidade.
Interessante, pois vemos que não se trata de “mero querer” do dirigente espiritual. Como diz a celebre frase: “Umbanda tem Fundamentos”. Tanto assim o é que, há um fundamento/explicação para tudo que se realiza dentro dos rituais umbandistas. Nada é inventado, mas sim solicitado pela espiritualidade maior.
Além disso, como instituído por Pai Antônio, iniciou-se a realização de oferendas. Já nas tradições que hoje seguimos, temos o costume de, muitas vezes, não só ofertar frutas aos Orixás, mas também comidas típicas.
Para Ogum, ofertamos a famosa FEIJOADA, que segundo lendas provindas do Candomblé, era a comida de Ogum. Só que vale ressaltar que, tal oferenda, também foi solicitada pelo Orixá Malê, como forma de oferendar a Ogum.
Desta forma, surge a oferenda da feijoada à Ogum nos cultos da Umbanda. Não se estranha que casas de Umbanda assim o fazem, pois não se trata mais de apenas tradição do Candomblé, mas uma solicitação do Orixá Malê que marcou a história da Umbanda.
Vimos, então, já na parte 2 de nossa História, a manifestação de um outro espírito que muito acrescentou nos nossos rituais e contribuiu para a evolução da Umbanda Sagrada.
Trata-se de Orixá Malê, Caboclo mensageiro de Ogum, com finalidades de quebrar demandas, desmanchar magias negras e também a arte de curar as enfermidades físicas e espirituais.
Guia de luz e de batalha, que simboliza a força do guerreiro e a temperança de nossos sentimentos, nos ensinando a lidar com a “guerra” diária, a qual hoje não combatemos com armas de fogo ou lanças, mas através da fé e sentimentos arrematadores, como o amor e o perdão.
Eis a história de Orixá Malê e, desta forma, saúdo o Orixá Ogum, senhor dos caminhos, que no dia 23 de Abril, comemoramos seu dia.
Saravá Ogum!
Saravá Orixá Malê!
Patakori Ogunhê, meu Pai!
Pai Igor Luís de Camargo
Umbanda - História e Fundação
Uma das situações mais sólidas e difundidas sem grandes contradições é
a respeito da História da Umbanda. Acredito ser um entendimento
coletivo e muito bem difundido por vários Sacerdotes de alto renomes,
como por exemplo Rubens Saraceni.
A história dessa religião é muito extensa, antecedendo o ano de 1908, onde muitos colocam como ponto de partida para sua criação, que de fato o é, mas a sua expansividade antes de chegar até as mãos de nosso pioneiro e fundador, é incontestável.
Não conheci, ou melhor, ainda não li algo que fosse tão profundo na história de nossa religião, não só se pautando nos momentos de Zélio Fernandino de Moraes.
Muito embora se escreve superficialmente sobre nossa religião, isso já se torna fundamental. É imprescindível que todos os Umbandistas dominem esse assunto, haja vista ser o play para discutirmos a Umbanda dos dias atuais e seus rituais, além de ser fato intrínseco a todos os religiosos, sejam de quaisquer segmentos.
Pois bem, vamos aos fatos que nos são revelados.
“Cidade de São Gonçalo, localizada no estado do Rio de Janeiro, um jovem de 17 anos se preparava para servir às forças militares de nossa Nação. Seu nome? Zélio Fernandino de Moraes.
O jovem, de família tradicionalmente Católica, não contava que sua jornada e missão seria totalmente revertida. Em dado momento de sua vida, começou a ter alguns “transtornos psicológicos”, começou a falar sozinho, sonambulismo e entre outros acontecimentos.
Ninguém entendera o porquê daquilo e, prontamente, sua família pede auxílio para o médico psiquiatra, Dr. Epaminondas, tio de Zélio.
O pobre Zélio passou por inúmeros exames, testes, porém não foi encontrado nenhuma irregularidade em sua saúde mental. Não satisfeitos e àqueles problemas ainda ocorrendo, como católicos que eram, buscaram o apoio de outro tio de Zélio que era padre. Zélio passou por vários rituais de exorcismo e rezas, mas nada que o padre realizava surtia efeitos.
A família, já sem esperanças de melhoras, descobre que na região havia uma benzedeira, a qual incorporava um espírito chamado Tio Antônio. Sem muita opção e contrariando princípios da doutrina em que seguiam, buscaram a ajuda da benzedeira e, diante ao espírito de Tio Antônio, este orientou a Zélio dizendo que seu problema não era caso de médico, mas sim espiritual. Ainda diz ao jovem que tinha uma missão a cumprir, mas que logo entenderia isso.
Logo após ouvido os conselhos de Tio Antônio, a família de Zélio descobre que em Niterói/RJ, havia sido inaugurada uma Federação Espirita, recorrendo a esta para tentar resolver o “problema” de Zélio.
No dia 15 de Novembro de 1908, Zélio foi encaminhado a presente Federação Espírita, onde foi colocado à mesa junto a outras pessoas (médiuns) para que participasse daquela sessão espírita.
Fato intrigante foi que, em dado momento, Zélio, impulsionado por uma força, sentiu a vontade de dizer: “Aqui falta uma flor”.
De forma inconsciente, Zélio se levantou e dirigiu-se até o quintal da federação, apanhou uma flor, voltou e a colocou em cima da mesa.
Após o fato, todos muito confusos com a atitude de Zélio, começou-se os trabalhos daquela noite.
*Destaco aqui que o Espiritismo, até muito tempo, considerava os espíritos que incorporam na umbanda de “pouca evolução”, não os aceitando. Essa consideração se faz necessária para o fato que vem a seguir*
Naquele momento, os médiuns que ocupavam a mesa, começam a ficar com suas expressões mais velhas, um jeito mais humilde e simples. Ali, manifestavam-se os espíritos de ex-escravos (não se falava em Pretos Velhos ainda), os quais rapidamente eram “expulsos” pelo dirigente dos trabalhos, pois dizia que ali não era o local adequado para estarem presentes.
Durante todo esse acontecimento na sessão espírita, Zélio já estava incorporado com um espírito e este questionou o dirigente do motivo que expulsaria àqueles humildes espíritos.
Antes de responder o questionamento realizado por àquele espírito, o dirigente pergunta quem o era, e prontamente responde: “Caboclo Sete Encruzilhadas, pois para mim não há caminhos fechados”.
Apresentando-se como caboclo, um vidente que ali estava, questiona-o do porquê suas vestes serem clericais e não de índio. De forma astuta, o Caboclo responde ao vidente: “O que vês são restos/resíduos de uma encarnação anterior em que fui FREI GABRIEL DE MALAGRIDA, queimado na fogueira da inquisição por prever o terremoto de Lisboa”.
Dali em diante, o Caboclo Sete Encruzilhadas anuncia a vinda de uma nova religião, onde os espíritos de negros e índios seriam acolhidos e respeitados. Surge naquele instante a primeira Lei da Umbanda, como sendo:
“Com quem souber mais, aprenderemos; quem souber menos, ensinaremos e a nenhum renegaremos”.
Então, o dirigente dos trabalhos questiona-o sobre o nome dessa religião e que duvidaria se haveria adeptos a ela.
De forma pacienciosa, o Caboclo diz o nome dessa nova religião – “UMBANDA” – e complementa dizendo: “Assim como Maria acolheu seus filhos, a Umbanda acolherá a todos os filhos seus”, e continua, “Amanhã, na casa de meu ‘cavalo’, às 20 horas, iniciará esse novo culto”.
Após encerrado a sessão, todos passaram a duvidar. No dia seguinte, 16 de Novembro de 1908, todos se dirigiram a casa de Zélio para se certificarem se realmente haveria uma nova religião. Para a surpresa de todos, o local estava lotado de adeptos, curiosos e enfermos.
No altar, imagens de santos católicos e ao centro uma mesa (influência do catolicismo e espiritismo), a qual estava rodeada de médiuns e auxiliadores. Às 20 horas daquele dia, como ditado por Caboclo Sete Encruzilhadas, eis a sua manifestação, onde começou a passar seus fundamentos, explicações, procedimentos e o ritual.
No meio da sessão, o caboclo desincorpora e chega em terra um outro espírito, um pouco mais idoso e perceptível a sua humildade e simplicidade. Saiu da mesa e dirigiu-se até um canto da casa onde estava posicionado o congá.
Tratava-se de um Preto Velho e, inquirido do motivo de não estar na mesa, responde dizendo: “A mesa é pro sinhô e não para nego”.
Ali estava o símbolo de humildade da Umbanda, Pai Antônio. Rapidamente solicitou seu cachimbo, sendo ele o primeiro a pedir um elemento (fumo) dentro do culto da umbanda.
Ressaltamos que, além do fumo, Pai Antônio inseriu a bebida (marafo) e as oferendas, tudo na forma como preceitua o ritual. É o primeiro a trazer para dentro de nossa liturgia o Culto aos Orixás, ou melhor, Devoção aos Orixás.
A partir daquele momento, instituiu-se o ritual da Umbanda. Foi anunciada no dia 15 de Novembro de 1908 e fundada em 16 de Novembro de 1908, tratando-se de datas históricas para a nossa Cultura”.
Em breve análise sobre nossa história, narrando o surgimento e um pouco de relatos que são amplamente difundidos, podemos compreender de forma clara o fundamento essencial da Umbanda, calcada no acolhimento sem distinção, na humildade, na sabedoria e na simplicidade.
É claro que não terminou aí a sua história, pois passou-se, posteriormente, para a fase de sua divulgação e propagação (que se perdura até os dias atuais), mas esse fato analisaremos posteriormente.
O que quis enfatizar nesse primeiro momento, foi a fundação e seu surgimento, suas datas (até que se tornou lei em nosso ordenamento), seu fundador, suas ideologias pautadas na caridade sem distinção, acolhimento de encarnados e desencarnados, os reconhecendo como legítimos irmãos, humildade e simplicidade.
Isso são fatores primordiais e que pairam sobre nossa religião e em nossa conduta, que JAMAIS pode ser diferente, ou melhor, contradizendo o postulado do Caboclo Sete Encruzilhadas.
Friso aqui que, muito embora a fundação tenha se dado no dia 16 de Novembro de 1908, a data de anunciação foi dada, por força de Lei Federal, como Dia Nacional da Umbanda (Lei 12.644, de 16 de Maio de 2012), sendo uma grande conquista a todos nós.
Aqui encontra-se um pouco de nossa história, a qual ainda não encerramos. Na próxima publicação abordaremos a manifestação do Orixá Malê e as Tendas que foram fundas pelo Caboclo Sete Encruzilhadas, fatos importantes para nossa doutrina.
Agora, apenas para melhor fundamentar a primeira “lei” de nossa religião, trago a baila o minister do Pai Rubens Saraceni que diz em seu livro:
“…seus iguais e não seus semelhantes. Iguais porque, independentemente de qualquer diferenciador, somos humanos, e se o verdadeiro humanismo imperar em nosso íntimo, não cometeremos injustiças de pré-julgar ninguém em função de suas origens e formações. E muito menos, não vemos os mais ou menos necessitados. Não privilegiamos uns em detrimento de outros. Não excluímos médiuns “iletrados” em benefício dos mais “estudados”, e entenderemos o modo de ser, de falar, de se vestir e de se relacionar de todos os que adentram nos centros de Umbanda”.
Saraceni, Rubens. Fundamentos Doutrinários de Umbanda. 01 ed. São Paulo. Madras, 2012.
Espero que esse ensinamento de Pai Rubens, coadunado com o do Caboclo Sete Encruzilhadas, possa lhe trazer reflexões sobre nossas condutas, muitas vezes, erradas.
Aqui está uma parte de nossa história e espero ter sido claro na explanação. Espero ainda que tenha despertado a ânsia de estudo em vocês e sanado dúvidas daqueles que não a conheciam.
Axé, Saravá!
Pai Igor Luís de Camargo.
A história dessa religião é muito extensa, antecedendo o ano de 1908, onde muitos colocam como ponto de partida para sua criação, que de fato o é, mas a sua expansividade antes de chegar até as mãos de nosso pioneiro e fundador, é incontestável.
Não conheci, ou melhor, ainda não li algo que fosse tão profundo na história de nossa religião, não só se pautando nos momentos de Zélio Fernandino de Moraes.
Muito embora se escreve superficialmente sobre nossa religião, isso já se torna fundamental. É imprescindível que todos os Umbandistas dominem esse assunto, haja vista ser o play para discutirmos a Umbanda dos dias atuais e seus rituais, além de ser fato intrínseco a todos os religiosos, sejam de quaisquer segmentos.
Pois bem, vamos aos fatos que nos são revelados.
“Cidade de São Gonçalo, localizada no estado do Rio de Janeiro, um jovem de 17 anos se preparava para servir às forças militares de nossa Nação. Seu nome? Zélio Fernandino de Moraes.
O jovem, de família tradicionalmente Católica, não contava que sua jornada e missão seria totalmente revertida. Em dado momento de sua vida, começou a ter alguns “transtornos psicológicos”, começou a falar sozinho, sonambulismo e entre outros acontecimentos.
Ninguém entendera o porquê daquilo e, prontamente, sua família pede auxílio para o médico psiquiatra, Dr. Epaminondas, tio de Zélio.
O pobre Zélio passou por inúmeros exames, testes, porém não foi encontrado nenhuma irregularidade em sua saúde mental. Não satisfeitos e àqueles problemas ainda ocorrendo, como católicos que eram, buscaram o apoio de outro tio de Zélio que era padre. Zélio passou por vários rituais de exorcismo e rezas, mas nada que o padre realizava surtia efeitos.
A família, já sem esperanças de melhoras, descobre que na região havia uma benzedeira, a qual incorporava um espírito chamado Tio Antônio. Sem muita opção e contrariando princípios da doutrina em que seguiam, buscaram a ajuda da benzedeira e, diante ao espírito de Tio Antônio, este orientou a Zélio dizendo que seu problema não era caso de médico, mas sim espiritual. Ainda diz ao jovem que tinha uma missão a cumprir, mas que logo entenderia isso.
Logo após ouvido os conselhos de Tio Antônio, a família de Zélio descobre que em Niterói/RJ, havia sido inaugurada uma Federação Espirita, recorrendo a esta para tentar resolver o “problema” de Zélio.
No dia 15 de Novembro de 1908, Zélio foi encaminhado a presente Federação Espírita, onde foi colocado à mesa junto a outras pessoas (médiuns) para que participasse daquela sessão espírita.
Fato intrigante foi que, em dado momento, Zélio, impulsionado por uma força, sentiu a vontade de dizer: “Aqui falta uma flor”.
De forma inconsciente, Zélio se levantou e dirigiu-se até o quintal da federação, apanhou uma flor, voltou e a colocou em cima da mesa.
Após o fato, todos muito confusos com a atitude de Zélio, começou-se os trabalhos daquela noite.
*Destaco aqui que o Espiritismo, até muito tempo, considerava os espíritos que incorporam na umbanda de “pouca evolução”, não os aceitando. Essa consideração se faz necessária para o fato que vem a seguir*
Naquele momento, os médiuns que ocupavam a mesa, começam a ficar com suas expressões mais velhas, um jeito mais humilde e simples. Ali, manifestavam-se os espíritos de ex-escravos (não se falava em Pretos Velhos ainda), os quais rapidamente eram “expulsos” pelo dirigente dos trabalhos, pois dizia que ali não era o local adequado para estarem presentes.
Durante todo esse acontecimento na sessão espírita, Zélio já estava incorporado com um espírito e este questionou o dirigente do motivo que expulsaria àqueles humildes espíritos.
Antes de responder o questionamento realizado por àquele espírito, o dirigente pergunta quem o era, e prontamente responde: “Caboclo Sete Encruzilhadas, pois para mim não há caminhos fechados”.
Apresentando-se como caboclo, um vidente que ali estava, questiona-o do porquê suas vestes serem clericais e não de índio. De forma astuta, o Caboclo responde ao vidente: “O que vês são restos/resíduos de uma encarnação anterior em que fui FREI GABRIEL DE MALAGRIDA, queimado na fogueira da inquisição por prever o terremoto de Lisboa”.
Dali em diante, o Caboclo Sete Encruzilhadas anuncia a vinda de uma nova religião, onde os espíritos de negros e índios seriam acolhidos e respeitados. Surge naquele instante a primeira Lei da Umbanda, como sendo:
“Com quem souber mais, aprenderemos; quem souber menos, ensinaremos e a nenhum renegaremos”.
Então, o dirigente dos trabalhos questiona-o sobre o nome dessa religião e que duvidaria se haveria adeptos a ela.
De forma pacienciosa, o Caboclo diz o nome dessa nova religião – “UMBANDA” – e complementa dizendo: “Assim como Maria acolheu seus filhos, a Umbanda acolherá a todos os filhos seus”, e continua, “Amanhã, na casa de meu ‘cavalo’, às 20 horas, iniciará esse novo culto”.
Após encerrado a sessão, todos passaram a duvidar. No dia seguinte, 16 de Novembro de 1908, todos se dirigiram a casa de Zélio para se certificarem se realmente haveria uma nova religião. Para a surpresa de todos, o local estava lotado de adeptos, curiosos e enfermos.
No altar, imagens de santos católicos e ao centro uma mesa (influência do catolicismo e espiritismo), a qual estava rodeada de médiuns e auxiliadores. Às 20 horas daquele dia, como ditado por Caboclo Sete Encruzilhadas, eis a sua manifestação, onde começou a passar seus fundamentos, explicações, procedimentos e o ritual.
No meio da sessão, o caboclo desincorpora e chega em terra um outro espírito, um pouco mais idoso e perceptível a sua humildade e simplicidade. Saiu da mesa e dirigiu-se até um canto da casa onde estava posicionado o congá.
Tratava-se de um Preto Velho e, inquirido do motivo de não estar na mesa, responde dizendo: “A mesa é pro sinhô e não para nego”.
Ali estava o símbolo de humildade da Umbanda, Pai Antônio. Rapidamente solicitou seu cachimbo, sendo ele o primeiro a pedir um elemento (fumo) dentro do culto da umbanda.
Ressaltamos que, além do fumo, Pai Antônio inseriu a bebida (marafo) e as oferendas, tudo na forma como preceitua o ritual. É o primeiro a trazer para dentro de nossa liturgia o Culto aos Orixás, ou melhor, Devoção aos Orixás.
A partir daquele momento, instituiu-se o ritual da Umbanda. Foi anunciada no dia 15 de Novembro de 1908 e fundada em 16 de Novembro de 1908, tratando-se de datas históricas para a nossa Cultura”.
Em breve análise sobre nossa história, narrando o surgimento e um pouco de relatos que são amplamente difundidos, podemos compreender de forma clara o fundamento essencial da Umbanda, calcada no acolhimento sem distinção, na humildade, na sabedoria e na simplicidade.
É claro que não terminou aí a sua história, pois passou-se, posteriormente, para a fase de sua divulgação e propagação (que se perdura até os dias atuais), mas esse fato analisaremos posteriormente.
O que quis enfatizar nesse primeiro momento, foi a fundação e seu surgimento, suas datas (até que se tornou lei em nosso ordenamento), seu fundador, suas ideologias pautadas na caridade sem distinção, acolhimento de encarnados e desencarnados, os reconhecendo como legítimos irmãos, humildade e simplicidade.
Isso são fatores primordiais e que pairam sobre nossa religião e em nossa conduta, que JAMAIS pode ser diferente, ou melhor, contradizendo o postulado do Caboclo Sete Encruzilhadas.
Friso aqui que, muito embora a fundação tenha se dado no dia 16 de Novembro de 1908, a data de anunciação foi dada, por força de Lei Federal, como Dia Nacional da Umbanda (Lei 12.644, de 16 de Maio de 2012), sendo uma grande conquista a todos nós.
Aqui encontra-se um pouco de nossa história, a qual ainda não encerramos. Na próxima publicação abordaremos a manifestação do Orixá Malê e as Tendas que foram fundas pelo Caboclo Sete Encruzilhadas, fatos importantes para nossa doutrina.
Agora, apenas para melhor fundamentar a primeira “lei” de nossa religião, trago a baila o minister do Pai Rubens Saraceni que diz em seu livro:
“…seus iguais e não seus semelhantes. Iguais porque, independentemente de qualquer diferenciador, somos humanos, e se o verdadeiro humanismo imperar em nosso íntimo, não cometeremos injustiças de pré-julgar ninguém em função de suas origens e formações. E muito menos, não vemos os mais ou menos necessitados. Não privilegiamos uns em detrimento de outros. Não excluímos médiuns “iletrados” em benefício dos mais “estudados”, e entenderemos o modo de ser, de falar, de se vestir e de se relacionar de todos os que adentram nos centros de Umbanda”.
Saraceni, Rubens. Fundamentos Doutrinários de Umbanda. 01 ed. São Paulo. Madras, 2012.
Espero que esse ensinamento de Pai Rubens, coadunado com o do Caboclo Sete Encruzilhadas, possa lhe trazer reflexões sobre nossas condutas, muitas vezes, erradas.
Aqui está uma parte de nossa história e espero ter sido claro na explanação. Espero ainda que tenha despertado a ânsia de estudo em vocês e sanado dúvidas daqueles que não a conheciam.
Axé, Saravá!
Pai Igor Luís de Camargo.
Carta Magna de Umbanda
Caríssimos irmãos de fé,
A Umbanda, sendo uma religião de cultura afro e muito pouco conhecida e discriminada em diversos segmentos religiosos, necessita ser levada a conhecimento do próximo, mostrando-os nossos trabalhos, o que realmente fazemos ou deixamos de fazer; mostrar que, muito embora nossa liturgia, possuímos trabalhos de vital importância voltados à sociedade e ao nosso próximo.
Assim sendo, tendo por idealizador o Sacerdote de Umbanda, Pai Ortiz Belo, instituiu-se o projeto da Carta Magna de Umbanda, tendo por fundamento e objetivo levar ao conhecimento das pessoas que nos cercam a verdadeira função religiosa e social da Umbanda Sagrada.
Muitos me perguntam veementemente se o objetivo da Carta Magna de Umbanda é instituir um “Ritual Único” da Umbanda, o que respondo de forma negativa. Não tem-se o dever e objetivo de padronizar o ritual, isso porque seria uma afronta a liberdade de que cada cidadão tem por se expressar, tendo em vista as diversas interpretações e estudos que existem sobre a seara Umbandista, já que essa não encontra-se “codificada” ou calcada em livro religioso específico.
A Carta Magna vêm mostrar a sociedade e toda a população os principais objetivos da nossa religião, desmistificando mentiras e mostrando, com retidão, o que nós Umbandistas realizamos e praticamos.
Vale ainda constar que, devido o cunho social do projeto, conta com o apoio, além dos segmentos da Umbanda (Templos e Federações – SOI, SOUESP), mas também da equipe de Direitos Humanos da OAB.
Isso posto, mostra a grandiosidade do projeto e sua importância em nossa Religião. Há 108 anos que a umbanda foi fundada por Zélio Fernandino de Moraes e, durante esse lapso temporal até os dias de hoje, vimos lutando incessantemente para conquistar nosso espaço e mostrar quem somos.
Embora “laicidade” do Estado, é perceptível o preconceito que gira em torno de nossos cultos, justamente por falta de informação e “monopolização” da verdade religiosa. Assim, eis uma forma de começar a quebrar tabus e revelar verdades que são, paulatinamente, massacradas.
Faço um apelo a todos os Umbandistas que D I V U L G U É M esse projeto em suas casas. Só assim conseguiremos expandir e levar uma informação correta e verdadeira a todos de nossa sociedade brasileira.
Acessem o site: http://www.cartamagnadaumbanda.com.br , acessem o site e divulguem.
A Umbanda precisa de nós!
Saravá a Umbanda!
Pai Igor Luís de Camargo
A Umbanda, sendo uma religião de cultura afro e muito pouco conhecida e discriminada em diversos segmentos religiosos, necessita ser levada a conhecimento do próximo, mostrando-os nossos trabalhos, o que realmente fazemos ou deixamos de fazer; mostrar que, muito embora nossa liturgia, possuímos trabalhos de vital importância voltados à sociedade e ao nosso próximo.
Assim sendo, tendo por idealizador o Sacerdote de Umbanda, Pai Ortiz Belo, instituiu-se o projeto da Carta Magna de Umbanda, tendo por fundamento e objetivo levar ao conhecimento das pessoas que nos cercam a verdadeira função religiosa e social da Umbanda Sagrada.
Muitos me perguntam veementemente se o objetivo da Carta Magna de Umbanda é instituir um “Ritual Único” da Umbanda, o que respondo de forma negativa. Não tem-se o dever e objetivo de padronizar o ritual, isso porque seria uma afronta a liberdade de que cada cidadão tem por se expressar, tendo em vista as diversas interpretações e estudos que existem sobre a seara Umbandista, já que essa não encontra-se “codificada” ou calcada em livro religioso específico.
A Carta Magna vêm mostrar a sociedade e toda a população os principais objetivos da nossa religião, desmistificando mentiras e mostrando, com retidão, o que nós Umbandistas realizamos e praticamos.
Vale ainda constar que, devido o cunho social do projeto, conta com o apoio, além dos segmentos da Umbanda (Templos e Federações – SOI, SOUESP), mas também da equipe de Direitos Humanos da OAB.
Isso posto, mostra a grandiosidade do projeto e sua importância em nossa Religião. Há 108 anos que a umbanda foi fundada por Zélio Fernandino de Moraes e, durante esse lapso temporal até os dias de hoje, vimos lutando incessantemente para conquistar nosso espaço e mostrar quem somos.
Embora “laicidade” do Estado, é perceptível o preconceito que gira em torno de nossos cultos, justamente por falta de informação e “monopolização” da verdade religiosa. Assim, eis uma forma de começar a quebrar tabus e revelar verdades que são, paulatinamente, massacradas.
Faço um apelo a todos os Umbandistas que D I V U L G U É M esse projeto em suas casas. Só assim conseguiremos expandir e levar uma informação correta e verdadeira a todos de nossa sociedade brasileira.
Acessem o site: http://www.cartamagnadaumbanda.com.br , acessem o site e divulguem.
A Umbanda precisa de nós!
Saravá a Umbanda!
Pai Igor Luís de Camargo
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